domingo, 20 de fevereiro de 2011

tempestade.


     As rochas caiem dos céus, pintado com largas pinceladas de nuvens pretas e cinzentas. Deixa arder, deixa a batalha decorrer assim como foi destinada. Os teus olhos cor de tempestade fixam o vazio, só as mãos comunicam, agarrando os nossos corpos deitados num abraço em tom de despedida, não há palavras, porquê falar? Antes calar, até porque não haveria nada que pudéssemos dizer que fosse igualmente belo ao horror e ao misto de medo e fascínio que nos rodeava.O teu coração palpitante ecoa na minha cabeça, enquanto somos engolidos pelas chamas, e consequentemente por um clarão de luz.
    Abro os olhos, percorrendo-os ao meu redor, tentando reconhecer tal sitio. Vejo o teu corpo imóvel e aproximo-me cautelosamente. Por uns segundos viajo pelas feições do teu rosto tentando decifra-lo. Pouso a mão no teu peito gélido e um arrepio percorre o meu corpo. O mesmo palpitar de há segundos atrás invadiu de novo os meus ouvidos e a minha cabeça, um leve sorriso desenha-se subtilmente nos teus lábios e a tempestade dos teus olhos volta a saudar-me.
Sim, estamos vivos.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

equivalente a (a)mar.

Já consigo sentir a tua corda a desamarrar-se lentamente do meu cais, e percebo que te queiras perder e aventurar uma vez por outra, mas mantém-te em terra, deixa-me ser o teu equilíbrio. Eu prometo que mantenho vivos na tua memória os sete mares, suspiro ao teu ouvido cada maré que enfrentaste, juro que te canto para adormecer qualquer melodia das sereias, ilumino as tuas manhãs com sol quente aquecendo a tua face adormecida, e acordo-te com beijos salgados, com sabor a mar. Não será exactamente igual, e certamente não vou exceder ás tuas expectativas, mas mais tarde irás agradecer por te ter mantido são e salvo, por ter sido o teu porto seguro, será melhor para ambos, por isso não desistas de mim, nem me largues agora, não afastes a tua pele da minha.