terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Nem paz, nem guerra.

Não queiras viver no meu Mundo, conhecer ou fazer parte do meu povo. Porque aqui a liberdade não existe, há muito que se desvaneceu, num sopro transformou-se em cinzas. Somos comandados por fantasmas que nos possuem a alma, reinam sem piedade, num regime baseado no medo. Vivemos numa prisão, com grades feitas de censura e espinhos de preconceito. É estritamente proibidos qualquer tipo de vontade própria, ou qualquer manifestação de sentimentos, caso contrario somos severamente julgados. O chão é irregular, temos de andar com muita cautela, de olhos postos no chão, portanto é impossível olhar para o céu, sentir o calor do sol na cara, admirar as estrelas, adormecer á luz das constelações, e além disso, se olharmos ao nosso redor, vemos inúmeros olhares, estranhos para nós, mas transbordantes de ódio, vale mais olhar o chão, ter a certeza de que não caímos em algum buraco. E se viveres aqui, podes-te habituar a ter constantemente um aperto no coração, um nó na garganta, uma brisa gélida no pescoço, e um suspiro no ouvido, em tom de morte.

Mas ainda assim, dentro de nós existe uma forte vontade, de mudar, explodir, de gerar um motim, exigir a nossa liberdade, podermos ser quem queremos ser, sem barreiras, ou regras. dentro de nós houve e sempre haverá o desejo de partir para guerra, mas algo nos impede (talvez seja o medo), e insiste que continuemos assim, não em paz, nem em guerra.Um desejo que vive e que se mantém calado, trancado no nosso olhar, escasso de esperança.

Mas no fundo, não será que vivemos todos no mesmo Mundo?

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