segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Pétala por pétala.

Sentei-me num banco de pedra, tão frio e rígido, como o meu coração, como o meu rosto, que sem expressão, procurava no inquietante movimento da população que passava, um sinal dos teus passos, o som único dos teus sapatos contra a calçada.Uma rosa jazia ao meu lado, perdida entre as folhas e a relva, e podia ouvir um grito de aflição, escapando pelas sua pétalas aveludadas, de um vermelho escuro, algumas já mortas. Estendi a minha mão para a alcançar e peguei nela.Lentamente, despi-a, pétala por pétala, pousando cada uma no meu vestido, até restar apenas um caule, com espinhos, nada mais. Recolhi as pétalas fazendo uma concha com as palmas das mãos, e fechando os olhos, inalei o seu aroma. Por segundos, podia jurar que estavas ali, senti na perfeição toda a tua essência, o teu perfume.Levantei-me e lancei todas as pétalas ao ar, antes de me ir embora, permaneci uns segundos imóvel, vendo cada um dos pedaços de ti movendo-se ao som do vento, até alcançar e cair suavemente no chão.

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