vagueando pela penumbra
segunda-feira, 16 de maio de 2011
insónia
Eu vivo-a.Quando a dona insónia aparece para me cumprimentar, e me desejar uma boa noite em branco. Prefiro manter a postura, sorrir, abrir a porta e deixa-la entrar. Que má impressão deixaria eu se a tentasse ignorar, além disso, é certo que mais tarde ou mais cedo ela acaba por entrar, quando ela se aproxima, não há como se lhe escapar. Portanto vivo-a, nem mais nem menos.
domingo, 24 de abril de 2011
Desapaixonar.
Uma vez que já nasceu o sol, visto o meu melhor sorriso, e cubro a alma de rosa-velho. Adoro quando estou assim meio a afundar num silêncio que consegue incomodar qualquer um, mas não há nada melhor para mim. E que tal uma precipitação torrencial de espinhos? Assim sempre podia andar sozinha na rua. Nada mais doce que a incerteza, e o confirmar que me estou a desapaixonar.
terça-feira, 19 de abril de 2011
percepção.
-Estás a ver aquela senhora que passa na rua sempre á mesma hora, de saltos altos e de pernas que parecem ter quilómetros? E tem sempre o cabelo elegantemente apanhado, e os lábios vermelho vivo?E usa sempre malas L.V. e óculos escuros que parecem muito caros?
-Sei, é muito estranha, deve ser mulher de um ricasso qualquer.
-Não concordo, eu acho que é uma fada.
-O quê?
-Percepção, meu caro, percepção.
-Sei, é muito estranha, deve ser mulher de um ricasso qualquer.
-Não concordo, eu acho que é uma fada.
-O quê?
-Percepção, meu caro, percepção.
quarta-feira, 6 de abril de 2011
é simples.
Fugimos dos nossos medos com passos pequenos e apressados, contorcemos os corpos e cerramos os punhos e os olhos com força, ou ligamos/desligamos a luz, ou subimos os lençóis e tapamos o rosto, na esperança e tentativa falhada de transmitir indiferença, ser isento á dor, invisível para as sombras e mais rápido que as maldições.
Mas esquecemo-nos da dimensão dos medos, que quanto mais os tememos e tentamos evitar confrontos, mais fortes se tornam, e obrigam-nos a parar, abrem-nos as mãos e os olhos com doses de realismo, puxam-nos os lençois e acordam-nos para um mundo muito mais leve.
segunda-feira, 28 de março de 2011
wiser
provar que estamos certos tem sempre um gostinho especial.
e saber que sabemos mais que os outros também.
refinar os gostos e sentidos é das coisas mais belas.
e conhecer todas as faces da vida torna-nos mais altos, e permite-nos entrar num êxtase de paixão cada vez que subimos mais um pouco, até porque se torna cada vez mais desafiador.
e saber que sabemos mais que os outros também.
refinar os gostos e sentidos é das coisas mais belas.
e conhecer todas as faces da vida torna-nos mais altos, e permite-nos entrar num êxtase de paixão cada vez que subimos mais um pouco, até porque se torna cada vez mais desafiador.
gradualmente as demais mentes destinguem-se da nossa e torna-se dificil partilhar o nosso ser e encontrar a compreensão dos outros.
por enquanto continuo cá de baixo, e vou permitindo que o fascinio seja fácil de alcançar.
domingo, 27 de março de 2011
estado de leveza
Encheu os pulmões de ar, e mergulhou.
A sua cabeça balançava ao som da primavera que a saudava numa aurora bailarina e que decorava o céu negro em tons de rosa e azul. Em passos como caricias de seda marcava uma melodia que ecoava na sua atmosfera, com os olhos arregalados, sem nada e com tudo, que sorriam timidamente em conjunto com os seus lábios, acompanhando o rosado das bochechas.Os seus braços ignorando a gravidade viajavam lentamente pelo vazio, deixando o ar como veludo escapar-lhe por entre os dedos. E suspirava canções, com palavras que lhe percorriam pela pele e não tinha a certeza se tinham sido ainda inventadas.
terça-feira, 8 de março de 2011
Caçadora.
Não sei o que fiz de mim, muito sinceramente nunca dei conta de quando me comecei a tornar nisto. deixei-me fascinar , e deixei-me enganar, mas agora que entrei nesta dimensão nem me importo, e consigo sorrir ao ver no meu reflexo a criatura em que me tornei, e ao sentir a dor ainda presente a viajar lentamente pelos meus pedaços, a tornar dormente cada parte. A partir de agora vou perseguir o teu perfume, sem medo, sem pudor. E tornar-me caçadora da minha própria espécie, gritar com todos os meus pulmões cânticos destemidos, vou ser guerreira de um exército que outrora me enfrentou e lutar pelo outrora estranho e inalcansável, integrar-me num circulo distinto, mudar cores e virtudes, numa tentativa de me tornar superior, de me elevar. E adeus ao Sol, cravado o punhal, só me vou sentir satisfeita quando me olhares daí de baixo e o teu perfume já não tiver a quem pertença.
Subscrever:
Comentários (Atom)





