domingo, 30 de janeiro de 2011

gravidade.

      Não tenho volta a dar, nem como escapar, felizmente, porque nunca me soube tão bem toda esta angustia de não conseguir ver outra coisa senão a tua imagem, e sei que é isto que quero, já experimentei sobreviver sem o teu veneno, e não fui capaz. Sem teres de fazer nada, estou exactamente como me obrigaste a estar, eu obedeci ao som da tua voz sem questionar primeiro o meu bem-estar, deixei que te aproveitasses de toda a minha fragilidade, e assim que descobriste que eras o meu ponto fraco, permiti que me possuísses, mas ainda bem que assim o fiz, porque fui capaz de entrar num doce estado de dependência do teu perfume. Não há movimento, não há espaço, nem ar, só um estado de leveza, mas que me sufoca mais e mais, e sorrio com toda esta dor que me provocas. Hoje é na tua gravidade que me encontro, e não há outro sitio que preferisse estar.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

mais alma que corpo.

Qual razão, quais medidas, nem oiço mais quando se
 fala em descer á Terra, em assentar os pés
no chão. Quando há alma que grita bem de alto,
não há consciência que a cale, alcance, ou sobreponha.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

beleza menos convencional.


Dou por mim de olhos e mente fixa em ti. Algo hipnotizante, que ainda não consegui desvendar, que me prende e me obriga a ficar assim, neste desejo incessante de saber e descobrir mais. Sinto cada vez mais uma vontade de te confrontar, exigir uma explicação, perguntar, 'quem és tu?' porque na verdade, nunca vi espécie que se igualasse a tua, chego a ponderar a ideia de seres doutro planeta, ou de outra dimensão, é certo que há algo cósmico, e enfeitiçante em ti. Porque pessoas, ou seres como tu, simplesmente não existem, 'és mesmo real?', e não é que seja algo bom em demasia para a realidade, talvez seja apenas, estranho, único, ou mágico demais. Talvez seja porque no meio de tanta monotonia, tu e todo o teu mistério me tenham assombrado inesperadamente. 

E que sensação alienigena seria provar o teu amor de outro Mundo, toda essa beleza menos convencional.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

feitiço de chá preto.

Manhã de inverno, a chuva e os primeiros raios de sol assaltam o meu mundo á parte, um oásis de altivos chorões e um composição aleatória de flores de Inverno, as que apesar de resistem ao frio e a chuva, nunca deixam o seu ar frágil e delicado. Num segundo, perdi-me no tempo, fui enfeitiçada pelo aroma a chá preto que dançou lentamente até mim, e me anestesiou, de todo o cinzento da realidade, e o arco-íris que surgia timidamente atrás de algumas nuvens, entregou-me uma amostra de todas as suas cores. Agora a beleza que me rodeava, fazia parte de mim, e o meu corpo dançava juntamente com os ramos e as flores, numa coreografia improvisada que com a serenidade do vento nos fazia mover numa perfeita sintonia. Não me atrevi a abrir os olhos, e a minha mente foi invadida por cores e sensações que numa situação normal, nem acreditaria que existissem, mas o tempo não residia mais em mim, não naquele momento.